BANDIDO E CAMALEÃO: O EU E SUAS MÁSCARAS POÉTICAS EM "O MISTERIOSO LADRÃO DE TENERIFE"

Pedro Gomes Dias Brito (UFMG)

Resumo


Este trabalho examina as diversas máscaras assumidas pelos sujeitos-líricos dos poemas de O misterioso ladrão de Tenerife (1972), livro de estreia de Eudoro Augusto e Afonso Henriques Neto. A análise focaliza a tensão instaurada entre biografia – e plano extra-literário – e poesia. Demonstra-se que o princípio reflexivo que ligaria univocamente pessoas biográficas (Henriques Neto e Augusto) e personae poéticas é retorcido na obra pelo diálogo com atitudes geracionais, mitos culturais e a obra de outros poetas. Sobretudo, examina-se como resquícios da vivência da pessoa biográfica – fatos cotidianos, sexo, experiências com drogas: topoi da poesia marginal dos anos 1970 – estão atravessados por comportamentos, imagens e concepções tributárias de certa linhagem “maldita” da literatura ocidental: Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud, Jean Genet, Allen Ginsberg e Roberto Piva. Busca-se, em suma, demonstrar que se forja, ao longo do livro, um corpo poético em patchwork, fruto do encontro entre os dois nomes e os dois corpos dos poetas com diversas máscaras, a começar pelo misterioso ladrão, que rasura sua identidade e se apresenta sempre pela metade, sob uma máscara que, a um só tempo, esconde e revela.


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ISSN  1807-9717


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