DESCENDENTES DESLOCADOS: UMA LEITURA DE O SOL SE PÕE EM SÃO PAULO E A CHAVE DE CASA

Allysson Casais (UFF)

Resumo


Neste trabalho, buscamos analisar como dois romances, O sol se põe em São Paulo, de Bernardo Carvalho (2007), e A chave de casa, de Tatiana Salem Levy (2008), problematizam a ideia de identidade nacional como algo rígido, único e fechado através do deslocamento de descendentes de imigrantes. No romance de Carvalho, no qual o leitor se depara com imigrantes e descendentes japoneses em uma história que se expande do Japão a São Paulo, percebe-se a busca por assimilação à nova nação e a demanda de êxito que recai sobre as novas gerações. O narrador, bisneto de imigrantes japoneses, relata sua aversão àquilo que pode o aproximar ao país de origem de seus antepassados assim como a importância de atingir um certo nível de sucesso para honrar os sacrifícios daqueles que imigraram. A obra de Levy também toca na questão da imigração, desta vez de pessoas oriundas da Turquia, e mostra não só a necessidade de assimilação como o romance de Carvalho, mas também a herança traumática que a imigração pode deixar para os descendentes. Na narrativa, o corpo doente da narradora-personagem, neta de imigrantes, serve como metáfora para essa herança. Uma leitura desses romances, portanto, possibilita uma problematização da visão de identidade nacional única brasileira.



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ISSN  1807-9717


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